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| - Quem te fez tão rigorosa, Dize, cruel rapariga? Deixa os triunfos de ingrata, Busca os troféus de bonita. Não te queiras pôr da parte De minha desdita esquiva: Que a beleza é muito alegre, Que é muito triste a desdita. Se ostentas tanto donaire Com fermosura tão linda, Segunda beleza formas Quando a primeira fulminas. E se cair na ladeira Manhosamente fingias, Tudo era queda do garbo, Tudo em graça te caía. Não tinha culpa o sapato, Que o pezinho não podia, Como era coisa tão pouca, Com beleza tão altiva.
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| - Quem te fez tão rigorosa, Dize, cruel rapariga? Deixa os triunfos de ingrata, Busca os troféus de bonita. Não te queiras pôr da parte De minha desdita esquiva: Que a beleza é muito alegre, Que é muito triste a desdita. Se ostentas tanto donaire Com fermosura tão linda, Segunda beleza formas Quando a primeira fulminas. E se cair na ladeira Manhosamente fingias, Tudo era queda do garbo, Tudo em graça te caía. Não tinha culpa o sapato, Que o pezinho não podia, Como era coisa tão pouca, Com beleza tão altiva. Botando o cabelo atrás, (Oh que gala, oh que delícia!) A bizarria acrescentas, Desprezando a bizarria. Toda de vermelho ornada, Toda de guerra vestida Fazes do rigor adorno, Fazes da guerra alegria. A tantas chamas dos olhos Teu manto glorioso ardia; Por sinal que tinha a glória, Por sinal que o fumo tinha. Liberalmente o soltaste: Que era o teu manto, menina, Pouca sombra a tanto Sol, Pouca noite a tanto dia. Se de teu dedo a memória Perdeste, é bem que o sintas; Que de meu largo tormento Tens a memória perdida. Dar-te-ei por melhores prendas, Que minha fé te dedica, Dois anéis de água em meus olhos, Que de chuveiros te sirvam. Agradece meus cuidados, E recebe as prendas minhas; Se tens da beleza a jóia, Os brincos de amor estima. Se cordão de ouro pretendes Por jactância mais subida, Aceita a prisão de uma alma, Que é cordão de mais valia. A todos estes requebros Não quis atender Belisa, Que se é diamante em dureza, Só de diamantes se alinda.
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