About: dbkwik:resource/GIsNrfKo3lbR6hauqGUwiQ==   Sponge Permalink

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  • Um Trecho de Th. Gautier
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  • É porque eu sou assim que o mundo me repele, E é por isso também que eu nada quero dele Minh'alma é uma região ridente e esplendorosa, Na aparência; porém pútrida e pantanosa, Cheia de emanações mefíticas, repleta De imundos vibriões, como a região infecta Da Batávia, de um ar pestífero e nocivo. Olha a vegetação: tulipas de ouro vivo, Fulvos nagassaris de ampla coroa, flores De angsoka, pompeando a opulência das cores, Viçam; viçam rosais de púrpura, sorrindo Sob o límpido azul de um céu sereno e infindo... Mas a flórea cortina entreabre, e vê: - no fundo, Sobre os trôpegos pés movendo o corpo imundo, Vai de rastos um sapo hidrópico e nojento...
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  • Um Trecho de Th. Gautier
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Autor
  • Olavo Bilac
abstract
  • É porque eu sou assim que o mundo me repele, E é por isso também que eu nada quero dele Minh'alma é uma região ridente e esplendorosa, Na aparência; porém pútrida e pantanosa, Cheia de emanações mefíticas, repleta De imundos vibriões, como a região infecta Da Batávia, de um ar pestífero e nocivo. Olha a vegetação: tulipas de ouro vivo, Fulvos nagassaris de ampla coroa, flores De angsoka, pompeando a opulência das cores, Viçam; viçam rosais de púrpura, sorrindo Sob o límpido azul de um céu sereno e infindo... Mas a flórea cortina entreabre, e vê: - no fundo, Sobre os trôpegos pés movendo o corpo imundo, Vai de rastos um sapo hidrópico e nojento... Olha esta fonte agora: o claro firmamento Traz no puro cristal, puro como um diamante. Viajor! de longe vens, ardendo em sede? Adiante! Segue! Fora melhor, ao cabo da jornada, De um pântano beber a água que, estagnada Entre os podres juncais, em meio da floresta Dorme... Fora melhor beber dessa água! Nesta Se acaso a incauta mão mergulha um dia a gente, Ao sentir-lhe a frescura ao mesmo tempo sente As picadas mortais das peçonhentas cobras, Que coleiam, torcendo e destorcendo as dobras Da escama, e da atra boca expelindo o veneno... Segue! porque é maldito e ingrato este terreno: Quando, cheio de fé na colheita futura, Antegozando o bem da próxima fartura, Na terra, que fecunda e boa te parece, Semeares trigo, - em vez da ambicionada messe, Em vez da espiga de ouro a cintilar, - apenas Colherás o meimendro, e as cabeludas penas Que, como serpes, brande a mandrágora bruta, Entre vegetações de asfódelo e cicuta... Ninguém logrou jamais atravessar em vida A floresta sem fim, negra e desconhecida, Que eu tenho dentro d'alma. É uma floresta enorme, Onde, virgem intacta, a natureza dorme, Como nos matagais da América e de Java: Cresce, crespa e cerrada, a laçaria brava Dos fléxiles cipós, curvos e resistentes, As árvores atando em voltas de serpentes; Lá dentro, na espessura, entre o esplendor selvagem Da flora tropical, nos arcos de folhagem Balançam-se animais fantásticos, suspensos: Morcegos de uma forma extraordinária, e imensos Escaravelhos que o ar pesado e morno agitam. Monstros de horrendo aspecto estas furnas habitam: - Elefantes brutais, brutais rinocerontes, Esfregando ao passar contra os rugosos montes A rugosa couraça, e espedaçando os troncos Das árvores, lá vão; e hipopótamos broncos De túmido focinho e orelhas eriçadas, Batem pausadamente as patas compassadas. Na clareira, onde o sol penetra ao meio-dia O auriverde dossel das ramagens, e enfia Como uma cunha de ouro um raio luminoso, E onde um calmo retiro achar contaste ansioso, - Transido de pavor encontrarás, piscando Os olhos verdes, e o ar, sôfrego, respirando, Um tigre a dormitar, com a língua rubra o pêlo De veludo lustrando, ou, em calma, um novelo De boas, digerindo o touro devorado... Tem receio de tudo! O céu puro e azulado, A erva, o fruto maduro, o sol, o ambiente mudo, Tudo aquilo é mortal... Tem receio de tudo! Imagem:Separator.jpg E é porque eu sou assim que o mundo me repele, E é por isso também que eu nada quero dele!
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