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| - Lívido, o olhar sem luz, roto o manto, caída Sobre o peito, a tremer, a barba encanecida, Descias, cambaleando, a encosta pedregosa Da velhice. Que mão te ofereceu, piedosa, Um piedoso bordão para amparar teus passos? Quem te estendeu a vida, estendendo-te os braços? Ias desamparado, em sangue os pés, sozinho... E era horrendo o arredor, torvo o espaço, o caminho Sinistro, acidentado... Uivava perto o vento E rodavam bulcões no torvo firmamento. Entrado de terror, a cada passo o rosto Voltavas, perscrutando o caminho transposto,
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| - Lívido, o olhar sem luz, roto o manto, caída Sobre o peito, a tremer, a barba encanecida, Descias, cambaleando, a encosta pedregosa Da velhice. Que mão te ofereceu, piedosa, Um piedoso bordão para amparar teus passos? Quem te estendeu a vida, estendendo-te os braços? Ias desamparado, em sangue os pés, sozinho... E era horrendo o arredor, torvo o espaço, o caminho Sinistro, acidentado... Uivava perto o vento E rodavam bulcões no torvo firmamento. Entrado de terror, a cada passo o rosto Voltavas, perscrutando o caminho transposto, E volvias o olhar: e o olhar alucinado Via de um lado a treva, a treva de outro lado, E assombrosas visões, vultos extraordinários, Desdobrando a correr os trêmulos sudários. E ouvias o rumor de uma enxada, cavando Longe a terra... E paraste exânime. Foi quando Te pareceu ouvir, pelo caminho escuro, Soar de instante a instante um passo mal seguro Como o teu. E atentando, entre alegria e espanto, Viste que vinha alguém compartindo o teu pranto, Trilhando a mesma estrada horrível que trilhavas, E ensangüentando os pés onde os ensangüentavas. E sorriste. No céu fulgurava uma estrela... E sentiste falar subitamente, ao vê-la, Teu velho coração dentro do peito, como Desperto muita vez, no derradeiro assomo Da bravura, - sem voz, decrépito, impotente, Trôpego, sem vigor, sem vista, - de repente Riça a juba, e, abalando a solidão noturna, Urra um velho leão numa apartada furna.
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