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| - E beijou-me em silêncio, longamente, Longamente me uniu à face fria... Oh! como a minha alma se estorcia Sob os seus beijos, dolorosamente! Onde os lábios pousou, a carne logo Mirrou-se e encaneceu-se-me o cabelo, Meus ossos confrangeram-se. O gelo Do seu bafo secava mais que o fogo. Com seu olhar sem cor, que me fitava, A Fada negra me qualhou o sangue. Dentro em meu coração inerte e exangue Um silêncio de morte se engolfava. E volvendo em redor olhos absortos, O mundo pareceu-me uma visão, Um grande mar de nevoa, de ilusão, E a luz do sol como um luar de mortos...
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| - E beijou-me em silêncio, longamente, Longamente me uniu à face fria... Oh! como a minha alma se estorcia Sob os seus beijos, dolorosamente! Onde os lábios pousou, a carne logo Mirrou-se e encaneceu-se-me o cabelo, Meus ossos confrangeram-se. O gelo Do seu bafo secava mais que o fogo. Com seu olhar sem cor, que me fitava, A Fada negra me qualhou o sangue. Dentro em meu coração inerte e exangue Um silêncio de morte se engolfava. E volvendo em redor olhos absortos, O mundo pareceu-me uma visão, Um grande mar de nevoa, de ilusão, E a luz do sol como um luar de mortos... Como o espectro d'um mundo já defunto, Um farrapo de mundo, nevoento, Ruina aerea que sacode o vento, Sem cor, sem consistencia, sem conjunto... E quanto adora quem adora o mundo, Brilho e ventura, esperar, sorrir, Eu vi tudo oscilar, pender, cair, Inerte e já da cor d'um moribundo. Dentro em meu coração, n'esse momento, Fez-se um buraco enorme — e n'esse abismo Senti ruir não sei que cataclismo, Como um universal desabamento... Razão! velha de olhar agudo e cru E de halito mortal mais do que a peste! Pelo beijo de gelo que me deste, Fada negra, bemdita sejas tu! Bendita sejas tu pela agonia E o luto funeral d'aquela hora Em que eu vi baquear quanto se adora, Vi de que noite é feita a luz do dia! Pelo pranto e as torturas benfazejas Do desengano... pela paz austera D'um morto coração, que nada espera, Nem deseja tambem... bendita sejas!
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