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  • De Volta do Baile
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  • Ao vê-la, a alcova deserta E muda até então, em roda Sentindo-a, treme, desperta, E é festa e delírio toda. Despe-se. O manto primeiro Retira, as luvas agora, Agora as jóias, chuveiro De pedras da cor da aurora. E pelas pérolas, pelos Rubins de fogo e diamantes, Faiscando nos seus cabelos Como estrelas coruscantes. Pelos colares em dobras Enrolados, pelos finos Braceletes, como cobras Mordendo os braços divinos, Pela grinalda de flores, Pelas sedas que se agitam Murmurando e as várias cores Vivas do arco-íris imitam,
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  • De Volta do Baile
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Autor
  • Olavo Bilac
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  • Ao vê-la, a alcova deserta E muda até então, em roda Sentindo-a, treme, desperta, E é festa e delírio toda. Despe-se. O manto primeiro Retira, as luvas agora, Agora as jóias, chuveiro De pedras da cor da aurora. E pelas pérolas, pelos Rubins de fogo e diamantes, Faiscando nos seus cabelos Como estrelas coruscantes. Pelos colares em dobras Enrolados, pelos finos Braceletes, como cobras Mordendo os braços divinos, Pela grinalda de flores, Pelas sedas que se agitam Murmurando e as várias cores Vivas do arco-íris imitam, - Por tudo, as mãos inquietas Se movem rapidamente, Como um par de borboletas Sobre um jardim florescente. Voando em torno, infinitas, Precipitadas, vão, soltas, Revoltas nuvens de fitas, Nuvens de rendas revoltas. E, de entre as rendas e o arminho, Saltam seus seios rosados, Como de dentro de um ninho Dois pássaros assustados. E da lâmpada suspensa Treme o clarão; e há por tudo Uma agitação imensa, Um êxtase imenso e mudo. E, como que por encanto, Num longo rumor de beijos, Há vozes em cada canto E em cada canto desejos... Mais um gesto... E, vagarosa, Dos ombros solta, a camisa Pelo seu corpo, amorosa E sensualmente, desliza. E o tronco altivo e direito, O braço, a curva macia Da espádua, o talhe do peito Que de tão branco irradia; O ventre que, como a neve, Firme e alvíssimo se arqueia E apenas embaixo um leve Buço dourado sombreia; A coxa firme, que desce Curvamente, a perna, o artelho; Todo o seu corpo aparece Subitamente no espelho... Mas logo um deslumbramento Se espalha na alcova inteira: Com um rápido movimento Destouca-se a cabeleira. Que riquíssimo tesouro Naqueles fios dardeja! É como uma nuvem de ouro Que a envolve, e, em zelos, a beija. Toda, contorno a contorno, Da fronte aos pés, cerca-a; e em ondas Fulvas derrama-se em torno De suas formas redondas: E, depois de apaixonada Beijá-la linha por linha, Cai-lhe às costas, desdobrada Como um manto de rainha... Categoria:Poesia brasileira Categoria:Olavo Bilac
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